Daniel Amor 5 de fevereiro de 2013 10:59 Caros, envio o Editorial do Boletim e-ARQUITETO, NEWLETTERS do SASP-Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo que trata sobre a tragédia de Santa Maria.
Falamos de algo que até agora ninguém deu importância que é a falta de profissionais Arquitetos com atribuições para aprovar e fiscalizar.
EDITORIAL
Consternados ainda com a tragédia de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e mesmo sem um laudo pericial, podemos adiantar que um dos principais fatores é o desrespeito à formação profissional. Qualquer um se sente capacitado em projetar e construir, a vida é construída por palpites. E o mais preocupante é que o próprio poder público a quem cabe fiscalizar, não prioriza os investimentos para garantir profissionais capacitados para atender a demanda que uma cidade tem. Nossa memória traz logo dados que levantamos quando participamos da Campanha Nacional dos Planos Diretores Participativos em 2005 e 2006. Praticamente a metade dos municípios paulistas não tinha nos seus quadros de funcionários arquitetos. Esse número foi confirmado quando o CAU - Conselho de Arquitetura e Urbanismo divulgou os primeiros resultados dos cruzamentos de dados recolhidos no cadastramento de profissionais de Arquitetura e Urbanismo. Mais de 30% dos municípios paulistas e brasileiros não têm sequer um arquiteto e urbanista residindo no seu território que dirá trabalhando na Prefeitura. Isto ocorre em São Paulo, imaginem no resto do País. Diante deste novo caso de descaso na cidade de Santa Maria, podemos questionar quem são os "técnicos" que fazem e que aprovavam os projetos nessa cidade? E quem fiscaliza? Tinham atribuição profissional para fazer isso? Temos dois Conselhos para atuar nessa fiscalização, alem do Corpo de Bombeiros, que não fiscaliza, só aprova. Reconhecemos que as entidades locais de arquitetos e urbanistas foram ágeis. O Conselho dos Arquitetos e Urbanistas do Rio Grande do Sul divulgou logo um comunicado informando as providências tomadas e de imediato se deslocaram até Santa Maria logo pela manhã de domingo para verificar a situação junto aos órgãos públicos que pudessem envolver os profissionais arquitetos e urbanistas da cidade. E lá conseguiram verificar que não existia RRT (Registro de Responsabilidade Técnica) de Arquiteto e Urbanista. O SAERGS – Sindicato dos Arquitetos do Rio Grande do Sul, filiado a FNA - Federação Nacional dos Arquitetos e Urbanistas, também prontamente divulgou comunicado informando sobre como proceder para obter informações oficiais e como colaborar doando sangue e prestando solidariedade. Entendemos que os colegas arquitetos e urbanistas que têm na sua atuação uma forte vocação social se comportaram conscientemente dentro do que estava ao alcance deles para atender a demanda da sociedade. Infelizmente, precisou uma tragédia para se retomar publicamente uma discussão tão presente no dia a dia do SASP e da FNA e histórica entre as entidades de arquitetos. Destinar recursos públicos para a contratação de um profissional arquiteto e urbanista não é despesa. É, sim, investir na construção de cidades com qualidade e segurança. Profissionais que estão capacitados para não só projetar e construir espaços bonitos e seguros, mas também contribuir na elaboração da legislação e controle do espaço urbano. Cabe aos governantes, responsáveis pelos executivos municipais, entenderem a importância da profissão e a nós, direção das entidades, a responsabilidade de não deixar cair no esquecimento o ocorrido, conscientizando e cobrando dos gestores públicos o exercício do nosso real papel que é atender a sociedade.
Daniel Amor
Presidente do SASP
Arquitetura e Urbanismo no Território da Costa do Descobrimento e Costa da Baleia no sul da Bahia
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
DESRESPEITO À FORMAÇÃO PROFISSIONAL
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
MANUAL DE FISCALIZAÇÃO DO CAU
A questão que a
priori se coloca é: o quê fiscalizar?
Deverão ser fiscalizados todos os serviços e obras compreendidos
no âmbito das atividades, atribuições e campos de atuação profissional da
Arquitetura e Urbanismo, em conformidade com o que se encontra definido na
Resolução CAU/BR nº 21, de 5 abril de 2012.
Onde devem ser realizadas as ações de fiscalização?
As ações de fiscalização deverão ser empreendidas em todos
os locais onde, potencialmente, são realizadas atividades técnicas privativas
da Arquitetura e Urbanismo ou compartilhadas com outras profissões
regulamentadas, tais como:
*canteiros de obras, onde se deve verificar se as atividades
técnicas ali realizadas encontram-se devidamente registradas e sob a
responsabilidade técnica de profissional habilitado, registrado e em situação
regular perante o conselho, tendo especial atenção aos projetos e obras de
reformas, nos casos de edificações de múltiplas unidades habitacionais,
comerciais ou de serviços;
*escritórios de projetos, onde se deve verificar, caso haja
pessoa jurídica constituída, se esta e
os profissionais que ali trabalham
são habilitados, devidamente registrados e em situação regular perante o
CAU/UF;
*salões de feiras, exposições e outros eventos relacionados
aos diversos campos da Arquitetura e Urbanismo, atentando-se especialmente para
a verificação dos registros de responsabilidade técnica (RRT) no âmbito da
Arquitetura de Interiores referentes às atividades técnicas ali realizadas;
*sedes de empresas construtoras, onde se deve verificar se a
pessoa jurídica e os arquitetos e urbanistas que ali trabalham encontram-se em
situação regular perante o CAU/UF, e se efetuaram os devidos RRT de Cargo ou
Função;
*sedes de empresas comerciais ou de prestação de serviços,
bem como empresas e órgãos públicos e fundacionais que mantenham seção técnica
por meio da qual preste ou execute, para si ou para terceiros, obras ou
serviços técnicos que se enquadrem nas atividades, atribuições ou campos de
atuação profissional da Arquitetura e Urbanismo, onde se deve verificar se tais
pessoas jurídicas encontram-se devidamente registradas junto ao CAU/UF e se os
profissionais que nelas trabalham estão em situação regular perante o conselho,
e se efetuaram os devidos RRT de Cargo ou Função;
*instituições de ensino, de pesquisa ou de extensão que
atuam em campos da Arquitetura e Urbanismo, onde se deve verificar se os
professores, pesquisadores e coordenadores de cursos são profissionais habilitados,
devidamente registrados e em situação regular perante o CAU/UF, e se efetuaram
os devidos RRT de Cargo ou Função;
*condomínios fechados, onde eventualmente se realizem
construções novas ou reformas; áreas de expansão das cidades para verificação
da existência de loteamentos e outras formas de ocupação não regularizadas
perante o CAU;
*editais de licitação de contratação de obras e serviços de
Arquitetura e Urbanismo;
*editais de concurso público de contratação de arquitetos e
urbanistas; e
*peças publicitárias onde se anunciam negócios imobiliários
e venda de lotes.
Além dos supracitados espaços de atuação profissional, dois outros
itens devem ser especialmente considerados e devidamente tratados pelas
estruturas de fiscalização dos CAU/UF:
*os sítios de internet onde se anuncia a venda de serviços,
notadamente projetos, de Arquitetura e Urbanismo;
*o eventual pagamento de comissão, reserva técnica (RT) ou
prêmio por parte de empresas comerciais, motivado pela especificação ou compra
de materiais, móveis ou equipamentos e a aceitação por arquitetos e urbanistas
dessas vantagens.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
Niemeyer: compasso, harmonia e melodia

Não
sei por que, quando ouço as Bachianas Brasileiras me sinto surfando nas obras
de Oscar Niemeyer. Qual seria a sua contribuição para arquitetura universal? Aos
30 anos ele rompia com a rigidez positivista do Modernismo Europeu, reintroduzindo
o sentimento na produção arquitetônica. A emoção se expressa em sua obra pelas
curvas em oposição à reta e ao ângulo reto, mas em perfeita harmonia com os
avanços no concreto armado. Hábil desenhista, ele juntou a formação tradicional
na Escola de Belas Artes com os conhecimentos divulgados pelos politécnicos. Sua
obra é inseparável de grandes estruturalistas, como o poeta Joaquim Cardozo e o
Prof. José Carlos Sussekind.
Como
todo grande artista, ele articulava o local com o mundial de forma exemplar. Sua
régua e compasso eram essencialmente cariocas. Sua obra embora universal nada tinha
a ver com a de Le Corbusier, salvo o fato de ter sido descoberto por ele. A
frondosa obra de Oscar Niemeyer, embora divulgada em fotos e vídeos, carece de
estudos à altura da sua contribuição à Arquitetura. Salvo os textos de Stamo
Papadaki, do inicio dos anos 50, praticamente tudo que se escreveu sobre sua
obra é de seus colaboradores ou do próprio arquiteto. Este artigo procura discutir
algumas dessas questões.
Niemeyer
dominou a composição arquitetônica como poucos maestros suas orquestras. É
preciso não esquecer que a arquitetura está mais próxima da musica do que de
qualquer outra arte, pela sua construção envolvente, pelo seu desenvolvimento
sinfônico em vários planos superpostos, pelo ritmo de suas colunatas e aberturas,
pela percussão da madeira ao caminhar, pelo brilho dos metais, pelos crescentes
de luzes e pela harmonia das partes com o todo.
Nos
palácios da Alvorada e do Planalto, ele resgatou o valor rítmico das colunatas,
meros suportes mecânicos na era industrial, a ponto de André Malraux, Ministro
da Cultura da França, dizer que depois das colunas gregas aquelas eram as mais
belas que havia visto. Mas Niemeyer, um perfeccionista, não se satisfazia com a
cadência monótona, chã, das colunatas clássicas, que ele mesmo havia
reproduzido nesses dois palácios e no Itamaraty, e fez variar seu compasso na
sede do Grupo Mondadori, na Itália, criando uma das mais belas colunatas do
mundo.
A modulação
melódica de suas coberturas e marquises se inspirava, como ele não se cansava de
repetir, na silhueta dos morros, na sinuosidade das ribeiras e praias de sua cidade, no movimento das ondas
e nas curvas sensuais da mulher brasileira. Esta foi a inspiração de Burle Marx
e de músicos cariocas seus contemporâneos, como Tom Jobim, Roberto Menescal,
Billy Blanco e Chico Buarque, eles também iniciados na arquitetura.
Recorde-se
o Samba o Avião de Tom e Vinícius: “minha alma canta/ vejo o Rio de
Janeiro...Rio, seu mar/ praias sem fim” e do estar na janela admirando o Corcovado
ou ainda a graça da “moça do corpo dourado/ do sol de Ipanema”. As praias e as
cariocas são a inspiração de Braguinha e Dorival Caymmi em duas odes a Copacabana.
Roberto Menescal e Ronaldo Boscoli cantam o mar e as ilhas da Guanabara em O Barquinho,
“que desliza sem parar no azul macio do mar”. Boémio quando jovem, Niemeyer sempre
curtiu a música erudita e popular e homenageou as escolas de samba cariocas com
um arco do triunfo no Sambódromo. Ele acabaria virando enredo de uma
delas.
A
reciproca parece verdadeira. A música também pode se transformar em desenho. O
musicólogo baiano Paulo Lima tem interessante ensaio mostrando como Tom Jobim
em “Wave” reproduz na pauta musical o movimento das ondas.
Niemeyer
um arquiteto engajado que doou o seu escritório em 1946 para a sede do PCB,
nunca acreditou em “arte social”, mas dizia que mesmo trabalhando para o poder,
o impacto de seus projetos produzia um instante de alegria no povo. Em Brasília,
pude constatar que havia todo tipo de gente, inclusive trabalhadores, se
despedindo desse criador infatigável, que nunca tirou férias e não precisava dormir
para sonhar. Morreu aos 105 anos reclamando que queria trabalhar.
Paulo Ormindo de Azevedo
Escreve no Jornal A Tarde - Salvador, é Conselheiro Federal pelo CAU BA, professor da UFBA (veja mais nos posts anteriores)
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
BOM NATAL, ANO NOVO E CARNAVAL
PREZADOS COLEGAS,
NOSSO CAU BA TEM SE DESTACADO NO CENÁRIO NACIONAL.
FRUTO DE DECISÕES ACERTADAS DA PRESIDENTE JANDIRA NA ESCOLHA DA EQUIPE INICIAL E TAMBÉM DA COMPETÊNCIA DO VICE GUIVALDO.
ALÉM DE DESEJAR TUDO ISSO A TODOS, DESEJO TAMBÉM
寿
KOTOBUKI
uma palavra do idioma Japonês, não tem uma tradução exata para o português, porém tem como significado:
FELICIDADE, PAZ, HARMONIA, PROSPERIDADE E SORTE.
COMO O ANO SÓ COMEÇA DEPOIS DO CARNAVAL, BOM CARNAVAL TAMBÉM
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
A casa do Oscar

http://youtu.be/BwBbLBU6Im4
A casa do Oscar era o sonho da família.
Havia o terreno para os lados da Iguatemi, havia o anteprojeto, presente do próprio, havia a promessa de que um belo dia iríamos morar na casa do Oscar.
Cresci cheio de impaciência porque meu pai, embora fosse dono do Museu do Ipiranga, nunca juntava dinheiro para construir a casa do Oscar.
Mais tarde, num aperto, em vez de vender o museu com os cacarecos dentro, papai vendeu o terreno da Iguatemi.
Desse modo a casa do Oscar, antes de existir, foi demolida.
Ou ficou intacta, suspensa no ar, como a casa no beco de Manuel Bandeira.
Senti-me traído, tornei-me um rebelde, insultei meu pai, ergui o braço contra minha mãe e sai batendo a porta da nossa casa velha e normanda: só volto para casa quando for a casa do Oscar!
Pois bem, internaram-me num ginásio em Cataguazes, projeto do Oscar.
Vivi seis meses naquele casarão do Oscar, achei pouco, decidi-me a ser Oscar eu mesmo.
Regressei a São Paulo, estudei geometria descritiva, passei no vestibular e fui o pior aluno da classe.
Mas ao professor de topografia, que me reprovou no exame oral, respondi calado: lá em casa tenho um canudo com a casa do Oscar.
Depois larguei a arquitetura e virei aprendiz de Tom Jobim.
Quando a minha música sai boa, penso que parece música do Tom Jobim.
Música do Tom, na minha cabeça, é a casa do Oscar.
Chico Buarque.
sábado, 1 de dezembro de 2012
Gratuidade prorrogada até 31 de dezembro
A
gratuidade das carteiras de identidade profissional dos arquitetos e
urbanistas foi prorrogada até 31 de dezembro de 2012. Porém, o prazo
para integrar a nova numeração dos registros do Conselho de Arquitetura e
Urbanismo – CAU terminou hoje, dia 30 de novembro.
Quem
participou da atualização cadastral e da coleta de dados biométricos
até esta data receberá número de registro de acordo com a data de
formatura, do mais antigo para o mais recente. Os que fizerem
posteriormente receberão numeração sequencial.
Até
31 de dezembro, fique atento ao calendário e cidades para coleta dos
dados biométricos no seu estado. Os Conselhos estaduais poderão
determinar novo roteiro itinerante ou atender apenas na capital. O
procedimento para agendamento continua o mesmo: entre no SICCAU e
escolha entre os locais e datas disponíveis para o seu atendimento.
Quem
ainda não fez a atualização cadastral e respondeu ao censo dos
arquitetos e urbanistas poderá fazê-lo até 31 de dezembro, mas não deixe
para a última hora, para evitar filas na coleta de dados biométricos –
única etapa presencial do processo. Lembramos que a validade das
carteiras do CREA expira em 31 de dezembro de 2012.
A
partir de 2013, os arquitetos e urbanistas que não tiverem solicitado
ainda suas carteiras poderão fazê-lo a qualquer momento, mas ao custo de
R$ 40,00 (quarenta reais). O calendário de 2013 será divulgado
oportunamente, por cada estado.
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